sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Memórias e histórias de outros carnavais no Clube 24 de Agosto



Na noite do dia 05 de outubro o Clube 24 de Agosto se reencontrou com suas memórias, sua gente e suas histórias. Em um momento compartilhado, de portas abertas, a velha guarda dos antigos carnavais recebeu a todos para uma longa conversa, para uma intensa troca de sensações e emoções.

O encontro iniciou com marchinhas de carnaval e a diretoria desfilou com o estandarte do clube convidando à todos para dançar. Após, a historiadora Juliana Nunes leu texto e cantou uma marchinha compostos por ela em homenagem ao Cordão União da Classe, origem do Clube 24 de Agosto.

Em forma de roda, a conversa iniciou com os relatos de seu Nergipe Machado, que contou histórias sobre a fundação do Clube 24 de Agosto, sobre o Cordão União da Classe e sobre as comparsas: "Faziamos comparsas para dia de São João, comemorações assim, iamos cantando e dançando pela rua até o Clube, então dávamos inicio ao baile". Nergipe também lembrou da segregação racial que havia, na qual negros não podiam entrar em clubes de brancos e vice-versa. "Quando fui presidente do Clube 24 de Agosto, por volta de 1978, fizemos um acordo com o Clube Caixeiral para liberar a entrada de negros e brancos nestas duas sociedades, ali começou uma abertura", relatou.

Dona Aldacir Machado, contou que não havia apenas segregação racial, mas também social : "No Clube Suburbano, que era um clube de negros, se fosse lavadeira ou doméstica não podia entrar". Entre risos, lembrou da vigilância que os mais velhos do clube faziam sobre os mais jovens. "Não podiamos nem dar as mãos dentro do Clube, se isso acontecesse chamavam nossa atenção e muitas vezes tinhamos que nos retirar".

"Na nossa época saiamos para os bailes para brincar, dançar...não era como hoje, era muito diferente", complementou Nergipe.

Dona Mocinha trouxe relatos dos carnavais de rua e das Escolas de Samba. "Éramos avaliados, mas não tinha esse controle sobre o carnaval que há hoje. Antes passávamos na avenida quantas vezes queríamos, até o dia raiar". Seu Ciriaco, do Grupo Época de Ouro, também lamentou a "aceleração" do carnaval. "Hoje temos um carnaval da Bahia,não é um carnaval nosso. Não temos mais espaço para tocar e cantar sambas, muito menos para brincar na avenida".

Mas a noite não foi de lamentações e sim de muita nostalgia e risadas. Lembrando outros tantos que já não estavam presentes, mas que ajudaram a construir a história e as próprias paredes da sede do Clube 24 de Agosto.

O encerramento foi ao som das marchinhas carnavalescas, brincando o carnaval.


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Esta atividade foi dentro do Projeto Conversando sobre Patrimônio, realizado pela Secretaria de Cultura e Turismo, em parceria com o Laboratório de Cultura Material e Arqueologia (LACUMA/UNIPAMPA) e o Laboratório de Historia Social e Política (LAHISP/UNIPAMPA.

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